Arte e Cultura


Com esse tema, buscamos trazer - para conhecimento e discussão de nossos alunos - a representação social, cultural e artística de nosso município através de algumas de suas expressões mais conhecidas e/ou significativas, reconhecendo que - para citarmos alguns - tivemos que deixar de lado importantíssimas contribuições, as quais esperamos que nossos professores possam resgatar e, com elas, ampliar as dimensões deste trabalho.

Sendo a Arte um dos conhecimentos historicamente construído, ela participa da formação humana e carrega um dos mais importantes significados. Essa indispensabilidade de ter a arte como participante do espaço escolar diz respeito tanto ao fato de que ambas (arte e educação) requerem o concurso da imaginação criadora enquanto faculdade de síntese, essencial no processo do conhecimento, quanto ao sentido formador expresso, por exemplo, nestas reflexões de Madalena Freire: [...] sujeitos porque desejamos, sonhamos, imaginamos e criamos; na busca permanente da alegria, da esperança, do fortalecimento da liberdade, de uma sociedade mais justa, da felicidade a que todos temos direito. [1]

[1] FREIRE, Madalena. O sentido dramático da aprendizagem. Paixão de aprender. Porto Alegre: Pallotti, Vol. I, n.° 1, 1991, p. 24.

 

As artes plásticas na vida do taboanense.

“Pensando na história do Brasil, inspirei-me nos tipos étnicos e consegui imaginar o “branco” chegando, encontrando o índio e depois trazendo o negro, começando daí as misturas de raças que formaram a nossa sociedade (...). A arte em minha vida veio com um dom de Deus: é com ela que tento reviver a beleza da criação, sempre optando pelo clássico e acadêmico, porque não consigo ver na Arte Moderna a autêntica representação do real. E foi em 3 de outubro de 1991, partindo desse referencial, que pude participar em Taboão da Serra de uma grande exposição de artes plásticas que, na categoria ‘óleo sobre tela’, pude receber a medalha de prata de segundo colocado com o meu quadro ‘O Frade’.”[2]

[2] NETO, José Teodoro. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 27 abr. 2004.

 

As artes plásticas no Brasil

As artes plásticas se manifestam através de elementos visuais, reproduzindo formas da natureza ou criando figuras imaginárias. Compreende, entre outras manifestações, o desenho, a pintura, a gravura, a colagem e a escultura. Essa linguagem visual é uma das primeiras formas de expressão humana.

A arte brasileira tem sua origem no período anterior ao descobrimento, com a arte indígena, de caráter ritualístico e sagrado, representada sobretudo por adornos feitos de plumas de pássaros, pintura corporal e cerâmica de motivos geométricos. A chegada dos portugueses, a catequese jesuítica e, mais tarde, as invasões holandesas em Pernambuco favoreceram os primeiros contatos com a arte europeia, que tem forte influência sobre a produção nacional em todas as épocas.[3]

[3] SAMPAIO. Zezé As artes plásticas no Brasil. Disponível em: Acesso em: 02 mar. 2004. 

“Em arte tudo precisa ser feito com muito amor e carinho. Aliás, viver é uma arte! Amei todas as minhas esculturas porque elas possuem um pedaço de mim.”[4]

Paulino nasceu em 1947 na cidade de Guanariba, na Paraíba, chegou em Taboão da Serra em 1978, quando começou a esculpir santos’ de vários estilos e carrancas para vender na Praça da República em São Paulo. Fez algumas imagens que foram vendidas inclusive para o Japão. Há dois anos vem representando nosso município no Mapa Cultural.

[4] CUNHA, Luis Paulino. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 04 dez. 2003. 

 

Origem das carrancas 

Acredita-se que as carrancas tenham sua origem em ornamentos usados nas embarcações da Assíria, Fenícia e Egito em eras remotas, de muitos séculos, que eram colocadas de forma majestosa na proa dos navios e galeras, conhecidas como ‘figuras de proa’.

As primeiras referências sobre a presença das carrancas no Brasil estão localizadas nas embarcações do rio São Francisco por volta de 1888. Sendo o único meio de transporte para os moradores das áreas ribeirinhas que margeavam o São Francisco, as embarcações concorriam entre si para atrair a freguesia.

Os proprietários buscavam decorar suas embarcações de modo a torná-las mais atrativas e consequentemente conseguir um maior número de passageiros. Além destes fatores exclusivamente decorativos, atribuiu-se também a estas figuras a função de afugentar maus espíritos e proteger as viagens.[5]

[5] AMÉRICO, Vespúcio. Origem das carrancas. Disponível em: Acesso em 8 dez. 2003 

 

Você sabia?

O cartunista Bruno Hamzagic, de 19 anos, morador de Taboão da Serra, ganhou o prêmio revelação do Mapa Cultural Paulista em 2003 com uma caricatura do senador Antônio Carlos Magalhães, o carro-lesma de Rubinho Barrichello, a história do jogador Ronaldinho e o topete do governador mineiro Itamar Franco. Em Taboão, Hamzagic deixou sua marca no muro da Avenida Fernando Fernandes.[6]

[6] JORNAL EXPRESSO. HANZAGIC, Bruno. Cartunista. Disponível em: < http://www.taboaodaserra.jex.com.br/>. Acesso em: 12 ago. 2004.

 

Cinema 

 

“O cinema é a minha vida. Vejo e sinto com a ‘alma’ cada clássico que tenho... Uma vez achei um pedaço de filme e, com uma caixa de papelão e uma lente de óculos montei um pequeno projetor.”[7]

[7] ZAGATI, José Luiz. Fundador do mini cine Tupy do Jd. Record em 16 ago. 1998. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 21 abr. 2004.

 

O Cinema Paradiso de Taboão da Serra

José Luiz Zagati apaixonou-se pelo cinema ainda quando criança. Há alguns anos, abriu uma pequena sala em sua casa ainda em construção no Jardim Record, em Taboão da Serra, para projetar filmes de película de 16 milímetros aos domingos no seu Mini Cine Tupy. O antigo Cine Tupy, fechado há mais de 30 anos, foi um de seus inspiradores. Dali, Zagati planejava suas invenções.

“Eu tinha 4 anos quando fui ao cinema pela primeira vez em Guariba, no interior de São Paulo, lembra o projetista. Fiquei de boca aberta no colo da minha irmã ao ver as cenas de faroeste.”[8]

[8] O cinema Paradiso de Taboão da SerraO Estado de São Paulo. Projetista de Taboão da Serra. São Paulo 28 dez. 2000. Caderno Seu Bairro, ano 4, nº 194.

“O Cine Tupy foi inaugurado em 1952 com o filme ‘Sansão e Dalila’ pela proprietária Odete Domingues Marques, que também trabalhava na bilheteria. O local ficava ao lado da padaria Celeste, na Rua José Soares de Azevedo. Só em 1954 foi que meu pai (José Severino Marques Filho) adquiriu o Cine Tupy.

O pessoal gostava muito de filmes de faroeste, Mazzaropi, e cinema nacional, as sessões eram lotadas, as pessoas não tinham aonde ir, não havia televisão!

Funcionava de terça a domingo, sempre o mesmo filme. O Cine era um sucesso, todas as sessões eram lotadas.  Não existe nenhuma ligação do Cine Tupy com o Zagati. Nós ouvimos falar dele quando surgiu um Cine com o nome da Tupy, mas na verdade o primeiro sempre foi do meu pai (José Severino Marques Filho). Nós temos até a máquina com que passávamos o filme no cinema !

O Cine foi fechado quando surgiram os televisores na década de 70, invadindo as casas, e então fomos perdendo a clientela. ”[9]

[9] MORAES, Nelson de Oliveira de e MORAES, Maria Rachel de. Empresários. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 04 jun. 2003.

“Foi no Cine Tupy que comecei a namorar a minha esposa Catharina de Oliveira Portmann, isso mais ou menos em 1954. Era um cinema bem antigo, com uma máquina barulhenta; a gente não tinha muita opção, era cinema ou futebol. Eu não gostava de cinema. Ia apenas porque, se não fosse, perderia a namorada.”[10]

[10] PORTMANN, Paulo Adolfh. Aposentado, morador da Vila Iasi. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 04 dez. 2004.

“Eu ficava recolhendo restos de rolos de filme do lixão. Quando o cine Tupy acabou, comecei a pensar como construiria meu próprio cinema.”[11]

[11] NETO, José Teodoro. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 27 abr. 2004..

 

O Cinema Nacional

“Somente na década de 1930, o cinema brasileiro encontrou uma das mais fortes vocações: comédia. Geralmente as comédias eram filmes musicais que ressaltavam a paisagem carioca e tinham forte apelo turístico. O filme Voando para o Brasil mostra um trapalhão em seu enredo, para o destaque exuberante do Rio de Janeiro, o namoro, a confusão provocada por um triângulo amoroso e um final feliz.”

A essas comédias dos anos 30, deu-se o nome de ‘chanchadas’.

Origem: Em 08/07/1896, apenas sete meses depois da exibição dos filmes dos irmãos Lumière em Paris, realiza-se no Rio de Janeiro a primeira sessão de cinema no país. Um ano depois, Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles inauguram, na Rua do Ouvidor, uma sala permanente. Em 1898, Afonso Segreto roda o primeiro filme brasileiro: algumas cenas da baía da Guanabara. Seguem-se pequenos filmes sobre o cotidiano carioca e filmagens de pontos importantes da cidade, como o Largo do Machado e a igreja da Candelária, no estilo dos documentários franceses do início do século. [12]

[12] SALVADORI, Maria Borges. Cidades em tempos modernos. São Paulo: Atual, 1995, p.26-27.

Cultura Afro-Brasileira

 

A escravidão

Para ter o africano como escravo, era preciso lhe suprimir a cultura - a alma -transformando-o em bicho ou coisa. Tiravam-lhe o nome tribal, impunham-lhe outro, português; proibiam-lhe a religião ancestral, forçavam-no a aceitar Cristo. Como se isso não bastasse, os escravistas completavam o serviço com a “pauleira”.

(...) Ele apanhava durante a comprida viagem até o litoral, apanhava no depósito mantido pelos agentes, apanhava no convés dos navios, durante a travessia do Atlântico (cerca de 3 meses), apanhava no mercado, à espera dos fazendeiros compradores e seguia apanhando durante toda a sua existência de escravo.[13]

[13] SANTOS, Joel Rufino dos. Zumbi. São Paulo: Global,1998 p.8 -9.

 

Os quilombos

“O quilombo foi um (...) movimento contra o estilo de vida que os brancos queriam impor aos negros. O quilombo mantinha a sua independência à custa das lavouras que os ex-escravos haviam aprendido a produzir com seus senhores e que eram defendidas, quando necessário (...). O movimento de fuga deve ter contribuído para abrandar o “rigor do cativeiro”, mas o quilombo principalmente serviu ao desbravamento das florestas além da zona de penetração dos brancos e à descoberta de novas fontes de riquezas.”[14]

[14] CARNEIRO, Edson. O Quilombo dos Palmares. São Paulo: Brasiliense, 1998 p. 24-25.

“Palmares – o maior exemplo do grande quilombo - era uma confederação de quilombos.”[15]

[15] FREITAS, Décio. Palmares - A guerra dos escravos. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984, p.36.

 

Cenas da escravidão

“(...) tendo ido catar cipó a mando de seu senhor, um preto de uma fazenda foi apanhado por diversos negros fugidos que o despiram e deram-lhe sova. O preto teve de esperar até a noite para voltar. “

(Correio, abril de 1887)

“Escravo fugido. Ao abaixo assignado no dia 15 fugiu o escravo Dionízio que tem os signaes: 45 anos, creoullo... Tem fala mansa e pausada, modos que demostram humildade, mas tem também mais de 30 fugidas.”

(Correio 9/3/1878)

 

 

Semana da Consciência Negra no CEMUR valoriza produção Cultural Afro-Brasileira.

Dois dias de apresentações culturais no CEMUR na Semana da Consciência  Negra levaram cerca de 1600 pessoas ao evento.

“Daniella Manfredini Gasparini – O evento sobre a arte e consciência negra que ocorreu nos dias 19 e 20 de novembro, no CEMUR, superou as expectativas da Secretaria de Educação e Cultura (SEMUEC) de Taboão da Serra. ‘Acredito que no primeiro dia de apresentação compareceram cerca de 600 pessoas. No segundo dia, o público aumentou ainda mais, com quase 1000 pessoas’ -afirmou o produtor cultural da SEMUEC, Xandão.

O evento começou às 20h quando houve apresentações de dança, capoeira, teatro, folclore, música, religião e uma palestra com o tema ‘Mulato: Negro-Não-Negro e Branco-Não-Branco’ apresentada pela escritora e mestre em Psicologia Social Eneida de Almeida dos Reis.

(...) No primeiro dia do evento, a oficina de dança ‘Luzes da Cidade’, o Grupo Afro Orum Ayê encantou o público. No segundo dia, o monólogo de Sandro Massai, o Grupo de Capoeira da Casa da Cultura Tambolano trouxe ainda mais espectadores. ‘ Há três anos, realizamos o evento Arte e Consciência Negra, que evidenciou um pouco dessa rica cultura, mas não podemos esquecer que é preciso haver uma luta constante para a valorização das tradições e dos direitos de igualdade da raça negra. Dar continuidade a esse objetivo é a proposta da Secretaria de Educação e Cultura de Taboão da Serra’- afirmou o secretário da SEMUEC, Prof. João Medeiros de Sá Filho. Um dos pontos fortes levantados pela organização desse evento foi esclarecer a população e também resgatar os símbolos da resistência e liberdade do negro.”

 

Zumbi de Palmares

“Com várias formas de tradução para o nome Zumbi, ‘O Deus da Guerra’ ,’Fantasma Imortal’ ou ‘Morto Vivo’ possui um grande significado para a história do Brasil e para o movimento negro. Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e luta pela liberdade.”[16]

[16] GASPARINI, Daniela ManfrediniSemana da Consciência Negra no CEMUR valoriza produção cultural Afro-Brasileira. Jornal Hoje. Taboão da Serra, 5 dez. 2003. Cultura, p.8.  

 

Música

Orquestra jovem de Taboão da Serra

“Em setembro de 1998, através do Decreto n.º 64, foi criada a Banda Marcial Municipal, embrião da Orquestra Jovem. No dia 30 de março de 2000, sob o Decreto n.º 15, a Banda Marcial foi consolidada como Orquestra Jovem, regida pelo maestro Edison Ferreira. Os jovens músicos possuem hoje no currículo vários prêmios como o 2.º lugar em Ipuã (SP) em 2000; 1.º lugar no Concurso Nacional de Campo Grande (Mato Grosso do Sul); 1.º  lugar no Campeonato Estadual de Bandas (Cidade de Socorro), em 2001. A Orquestra Jovem e a Banda Marcial possuem hoje 80 alunos matriculados em trompete, fagote, trombone-de-vara, saxofone, trompa, oboé, flauta transversal, clarinete, percussão sinfônica, entre outros.”[17]

[17] SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE TABOÃO DA SERRA. Registros da Orquestra Jovem. Taboão da Serra, 05 maio, 2003.

“Meu pai, Edison Ferreira, foi músico e pertenceu ao ‘Grupo dos Sete’ aproximadamente em 1970 no Pazzini. Eles faziam shows e essa vivência me despertou para a musicalidade.

A escola de música no Taboão foi um grande sonho. Nela trabalhamos algumas disciplinas: Teoria musical; História da música; Práticas Instrumentais e Prática Individual. Os alunos estudam 8 horas por dia, pois é preciso desenvolver o ‘eu’ intelectual e técnico.

‘A máquina não pode dominar o aluno. O aluno precisa dominar a máquina.’ Cada nota precisa ser sentida com a alma. É necessário viver a interpretação da melodia, pois só assim o aluno viverá uma vida musical de grandes emoções.

A música precisa ser vista como a possibilidade de um futuro melhor para os jovens. ”[18]

[18] FERREIRA, Edison. Maestro regente da Orquestra Jovem de Taboão da Serra. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 27 abr. 2004.

“Passei pela percussão e trompete e hoje sou trombonista, atualmente estou como monitor. Estudo música há 5 anos e sou bolsista da Escola Municipal de Música. Tudo isso para mim é fortalecido por um sonho que já está se tornando realidade... a escola de música já faz parte da minha vida.”[19]

[19] PORTO, Denis Eduardo Ferreira. Trombonista da Orquestra Jovem de Taboão da Serra. Entrevista concedida à equipe de história. Taboão da Serra, 28 abr.2004.

 

A Banda no início da década de 1960

“A banda musical do Taboão da Serra foi fundada em 31/06/1962 pelo padre Carlos Spaniol, que era músico e pároco da igreja Santa Terezinha. Naquela época a Banda não tinha coreto, não tínhamos lugar certo para tocar; então íamos à pracinha 31 de março (atual Praça Nicola Vivilechio). Aos domingos, as moças e os rapazes davam voltas a pé pelo jardim ao lado da fonte luminosa, ao som das marchinhas e dobrados de nossa bandinha, que se espalhava por todo Jardim Maria Rosa, atraindo as famílias.

Treinamos o hino do Taboão por várias vezes. Inclusive, em algumas festas de Sete de Setembro, a prefeitura deixou a banda tocar na Kizaemon Takeuti. ”[20]

[20] GONÇALVES, Waldemar e Joelma Gonçalves. Entrevista concedida à Equipe de história. Taboão da Serra ,13 maio. 2003. 

 

A música erudita no Brasil

“A música Erudita ou Clássica, ou de Concerto, no Brasil dos primeiros séculos da colonização portuguesa, vinculava-se estritamente à igreja e à catequese. Com a chegada de D. João VI ao Brasil, tivemos também um grande impulso das atividades musicais e José Maurício Nunes Garcia destacou-se como o primeiro grande compositor brasileiro. Foi somente com Villa-Lobos que a música nacionalista no Brasil introduziu-se e consolidou-se pra valer (...).”

 

A música popular no Brasil

“Toda música produzida no Brasil não identificada como música erudita surge no século XVIII como expressão cultural da população das primeiras cidades coloniais, como Rio de Janeiro e Salvador. É marcada pela síntese de sons indígenas, negros e portugueses. Apresenta também grande variedade de gênero e ritmos.” [21]

[21] PORTAL, Dannilu. Música Erudita no Brasil. Disponível em: http://www.portaldannilu.hpg.ig.cpm.br/musica_classica.htm> Acesso em: 14 abr. 2004. 

 

Paixão de Cristo

“Novamente, como acontece por ocasião da encenação, o Morro do Cristo é o apogeu da arte e emociona milhares de pessoas.

‘Tivemos na Sexta-Feira Santa a 48ª edição da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. A história repete-se na memória de todos, nestes 2004 anos da era denominada cristã. A partir Dele, ficou estabelecido o a.C. e o d.C.. Então, daí em diante, o “amai-vos uns aos outros” fez parte do novo calendário que surgia.’

(...) A importância deste evento levado ao ar pelo elenco taboanense foi reafirmada pelo padre Aguinaldo diante de uma multidão calculada em mais de 15.000 pessoas. “É a contemplação da fé que fecundou o Ocidente disposto a fazer imperar a vontade divina (...)”.[22]

[22] Paixão de CristoJornal Hoje. Taboão da Serra, 13 abr. 2004. Ano 01, n.º 65. Especial, p. 5.

 

A importância de Manoel Francisco da Nova

Durante muitos anos em Taboão da Serra, as atividades culturais desenvolvidas com o apoio da Prefeitura foram feitas por Manoel Francisco da Nova, responsável pelo início da encenação da Paixão de Cristo, que completou sua 46ª edição este ano. A encenação tem grande tradição na cidade e concentra os grupos de teatro e os atores amadores. Com o apoio da Paróquia Santa Terezinha e da Prefeitura, o evento vem ganhando proporções gigantescas mas sem perder o caráter popular, fortemente evidenciado durante a produção do evento, que começa no fim de janeiro e vai até a Sexta-Feira Santa. A encenação é feita por cerca de 150 atores e costuma reunir um público de 15.000 pessoas.

A semente do que se tornou hoje a maior representação cultural artística da cidade surgiu da dedicação de Manoel Francisco da Nova, que mesmo antes da emancipação político-administrativa de Taboão da Serra, iniciou a encenação da Paixão de Cristo, que hoje tem muitas histórias para contar. O ator Mário Pazini Júnior, por exemplo, já interpretou o Cristo por dois anos – 2001 e 2003 – sendo que sua mãe contracenou como Virgem Maria, quando estava grávida de Pazini e seu pai foi o Cristo dos seis primeiros anos da emancipação.

A paróquia Santa Terezinha também ajuda no dia com a organização do evento em si e com a procissão e as orações que são feitas nos intervalos das interpretações. É uma atividade cultural que está incorporada à cidade, que tem força para sobreviver ao tempo. Porém, o incentivo do poder público é decisivo para que ela aconteça e que, dessa forma, o processo não seja quebrado. ”[23]

[23] FENÓLIO, Antônio Carlos. Vereador e ex-secretário de Educação e Cultura. Entrevista concedida à  jornalista Claudia Vicenza Funari. Taboão da Serra, nov. 2003.

 

Durante a década de 1970, Manoel da Nova montava também peças teatrais numa parceria com a Divisão de Educação e Cultura e apresentava suas peças nas escolas municipais. Com o início da rede municipal de ensino, o setor de cultura passou a promover gincanas esportivo-culturais, das quais também participavam escolas estaduais, numa disputa que acabava por envolver todo o município.

 

 

 

Amar

Que pode uma criatura senão.

entre criaturas amar?

amar e esquecer,

amar e malamar.

amar, desamar, amar?

Sempre, e atende olhos vidrados, amar?

(...)

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o cru,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

(...)

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa,

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.[24]

[24] ANDRADE, Carlos Drummond de, 1902-1987. Antologia poética. Rio de Janeiro, 1996, p.173. 

 

 


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